
Natal. O dicionário traduz esta palavra como “festa católica que se celebra a 25 de Dezembro” e é basicamente isso. Escolhe-se um dia, dá-se-lhe um significado mais ou menos estapafúrdio (Sim, sim. O menino jesus deve ter nascido dia 25 de Dezembro). Enchem-se mesas (quem as pode encher), as pessoas mascaram-se de altruísmo e bondade para com o próximo (que no resto do ano, para a maioria, fica no bolso). Dão-se prendas (que definem o quão importante essa pessoa é para vocês, por isso se me derem bombons já sei). E depois meus amigos? Depois vêm a parte mais irritante. A “solidariedade” e os programas alusivos a esta quadra.
Natal dos hospitais, Gala de Natal do “não sei quê”, Natal das prisões, Natal dos centros de saúde, Natal dos Velhos, Natal dos novos.
Mas esperem aí, o natal não é o mesmo para todos?
Antigamente (antes do baby jesus) comemorava-se o solstício de inverno. Os egípcios já comemoram a data há milhares de anos. Curiosamente também usavam uma árvore decorativa (estão a reconhecer o padrão).
Não me interpretem mal. Não tenho nada contra o menino jesus, nem contra a coca-cola (que inventou o Pai Natal). Adoro o facto de ir à casa de banho nos centros comerciais e ser presenteado com música desta altura, que se entranha e me obrigam a cantarolá-la. Isso até é giro (não para os meus amigos claro). Também não me incomoda o facto de as pessoas andarem super felizes e entretidas (pelo menos aparentemente). O que me preocupa é o que o seu sorriso alberga. Digamos que, nesta altura, elas andam anestesiadas. No entanto, o natal não dura para sempre. Os sorrisos esmorecem e tornam em frustração. As pessoas sentem-se obrigadas a comprar e no fim esquecem-se que terão de pagar a factura.
As fachadas, máscaras, o que lhes queiram chamar, são meras camuflagens para interesses maiores. Não é com o natal que salvamos crianças, descobrimos cura para o cancro e outras doenças, nem vamos ultrapassar a crise por ser natal. Quem criou o natal foram as pessoas, ora, as pessoas são imperfeitas, por isso o natal é tudo menos perfeito. O mundo não pára de girar por ser natal, mas gira muito dinheiro para bolsos indevidos nesta época.
Se querem ajudar, ajudem! Mas não esperem pelo natal. Agora vou cair no cliché (mas aplica-se) “Natal é quando um homem quiser”. Aproveitem bem esta época, digam às pessoas de quem gostam, o quanto elas são importantes. Dêem prendas se for preciso, mas não se cinjam ao natal.
P.S. Omiti falar de doces de natal, pois sou um ávido consumista de doçaria portuguesa tradicional e não quero que me cortem a ração no dia da consoada. E para aqueles que ficaram na dúvida, eu não suporto o natal. Não se esqueçam que enquanto nós gastamos, gastamos e gastamos. Outras pessoas sentem-se miseráveis por não puder gastar. Enquanto milhares enchem os centros comerciais à noite, outros dormem em caixotes. É triste ver que é preciso ser natal para as pessoas se “lembrarem” dos outros. É ainda mais triste ver que essa preocupação não é genuína. Perdoem-me se me alonguei, muito mais havia para dizer, mas vou guardar para mim. Em todo o caso o meu conselho final é para viverem o natal o melhor que souberem, assim como todos os outros dias da vossa vida.
I`ll smell you all later



