domingo, 24 de abril de 2011

Não sentir nada nunca é pior que sentir tudo

Sentir falta e saudades serão a mesma coisa?

A minha resposta é definitivamente não.

Nós sentimos falta de comida quando não comemos, mas a saudade não é bem isso.

A saudade não se alimenta da mesma forma. Não é uma necessidade fisiológica, não é racional, nem controlável, a saudade é duradoura.

É certo que muitas vezes sentimos saudades do que nos faz falta. Mas sentir falta por si só é algo pouco vinculativo, muitas vezes passageiro. “I miss you” é uma expressão que demonstra o egoísmo de “sentir falta”. “miss” relaciona-se com perda. O “I miss you” refere-se a algo que perdi, mas que para satisfazer a minha necessidade momentânea quero de volta.

Saudade não tem tradução em qualquer outra língua.

Eu não sinto falta dos pormenores irritantes das pessoas que amo e amei, mas tenho saudades desses mesmos pormenores, porque pertenciam a essas pessoas e porque agora é disso que me lembro.

Não sinto falta de uma voz esganiçada, de um aperto de mão exageradamente forte, de ter chinelos mordidos, de ouvir conselhos repetitivos, de ouvir falar de doenças, ou de piadas despropositadas, mas tenho saudades disso, porque isso fazia parte dessas pessoas (e não só).

Ter saudades é ter um vazio que outrora estava preenchido de forma quase imperceptível. Memórias que agora sei são de felicidade, mas que na altura eram rotina.

Ter saudades é sinal que vivi.

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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Mas que grande animal pah!


Olá amigos. Este post é dedicado a todos aqueles (que como eu) lêem coisas que não interessam nem ao menino Jesus.

Pois bem, primeira informação de relevância duvidosa. Sabem o que mais contribui para o efeito estufa, produzindo quantidades massivas de Dióxido de Carbono e Metano? (Não, não são os carros, nem qualquer tipo de electrodoméstico ou fábrica)

A resposta é o gado, mais especificamente as vaquinhas e as ovelhinhas. Querem que eu vá mais ao pormenor? (ok, vou assumir que sim, porque quem manda aqui sou eu)

Os arrotos e (vou tentar não ser labrego) os peidos (fail) das vaquinhas e das ovelhinhas são um dos grandes causadores da emissão de gases poluentes para a atmosfera.

Porém não temam meus caros visitantes do blog. Cientistas Norte-Americanos (e com muito tempo livre) criaram uma ração que regula os intestinos destes bichinhos. Acabando com os desarranjos intestinais, salvam o mundo.

Bem, o meu conselho para salvar o mundo é… Ensinar as ovelhas e as vacas (e seus esposos) a levarem os cascos à boca quando tiverem para arrotar (é uma questão de educação).

Quanto ao problema dos gases é simples (falem com a Fernanda Serrano que ela arranja-vos Activia)

Agora uma coisa totalmente random: Eu odeio Alemães! (Exceptuando os pastores)


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terça-feira, 5 de abril de 2011

Sinta-se Activia

Hoje vou-vos falar de eufemismos. Especificamente de um anúncio que está repleto deles.Os anúncios da Activia com a Fernanda Serrando.

Há já alguns dias que sempre que aquele anúncio passa eu encontro sempre mais um eufemismo.

Importa dizer que todos eles se relacionam com “cocó” e todo o processo até chegar a ele. Passando pelos gases, até aos “finalmentes”.

Meu deus, pôr raparigas giras a falar da barriga delas como se fossem balões (gases) e a dizerem que aqueles iogurtes as fazem desinchar (fazem muito cocó). Porquê? Por amor da santa, miúdas boas a falar de pupu. Não podiam fazer esses anúncios com robôs. Pois eles não fazem dessas coisas, é verdade.

Pior ainda é aquele slogan. “Beba activia e comece a libertar-se”. Não se libertem por amor dos santinhos todos lá do céu e arredores.

No dia em que começar a ver (e ouvir) as moças todas a libertarem-se no meio da rua, juro que viro padre.

O meu conselho. Bebam activia e libertem-se nos sítios próprios.

Ai, e é melhor nem falar na senhora do Gino-Canesten ok?

Fica o desabafo,

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sexta-feira, 1 de abril de 2011

E assim vai e assim volta


Acho que hoje tive a viagem mais longa de comboio de toda a minha vida. Dia marcado por outra greve que pareceu transformar minutos em horas sôfregas.

Podia fazer uma série de piadas (e aliás pensei nisso) em relação a aromas e palavras de ordem como “vou sair agora merda”, para além daquelas pessoas que criticavam as pessoas que a tentar sair do comboio eram bem-educadas ao invés de dizerem “vou sair agora merda”, enfim equacionei falar da parte cómica, como do senhor que perdeu o sapato ao entrar no comboio. O que sucede é que por trás de muitos risos eu apercebi-me da capacidade do ser humano se tornar irracional e anárquico.

O efeito multidão explica que em grupo cada pessoa racionaliza por si com desprimor por todos os que a rodeiam, conferindo à multidão um carácter anárquico. Bem, assistir a isso tudo estando confinado numa carruagem, é sufocante.

O que me chocou foi a brutalidade com que as pessoas agiam simplesmente para conseguir entrar e sair do comboio. Tudo bem, têm compromissos importantes, mas com certeza a vida humana é mais importante que esses compromissos. Não se empurram grávidas, não se nega o lugar a pessoas idosas, não se grita “matem-se todos” num meio de um comboio já de si sobressaltado.

Foi então que no meio de tanta animalidade irracional, me concentrei nas pessoas que, mesmo sobre aquele stress todo, mostravam alguma humanidade.

Gente com semelhantes compromissos que se preocupou em ver se as grávidas podiam sair em segurança, seres humanos que cediam os seus lugares a outros semelhantes que denotavam aflição nos seus rostos.

Se é verdade que é sobre o efeito de stress e pressão intensas que mostramos o nosso verdadeiro “eu” e se também é verdade que os “eus” do comboio eram maioritariamente narcisistas maliciosos, eu quero me concentrar nas pessoas que não o foram. Naquelas que respeitam, mantém-se serenas, civilizadas e prestáveis.

Não é por o mundo andar com os valores trocados, que nós temos de nos portar como uns desalmados selváticos. Temos de ser fiéis aos nossos valores em qualquer situação.

Se não tivermos valores em que acreditar e se não valorizarmos a vida (nossa e dos outros), então não temos alma, somos apenas corpos que pairam à procura da satisfação momentânea.

Eu acredito que não somos assim, foi a situação que provocou a reacção, pelo menos assim o espero.

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terça-feira, 22 de março de 2011

Adeus amigo

Seremos nós seres materialmente dependentes? Deixo de fora destas contas a dependência emocional, normal entre seres humanos. Apenas me pergunto se somos capazes de viver longe de alguns objectos. Esta vinculação de que vos falo, implica que na ausência de determinado material, nós, simplesmente, nos percamos.
A verdade é que o ser humano é um animal de hábitos e ao vivermos, frequentemente, na rota de influência de uma série de artefactos, acabamos por personifica-los. Damos-lhes alma e criamos uma relação pseudo-humana com um objecto inanimado, que, à semelhança do que fazemos com as pessoas, tomamos por certo nas nossas vidas.
Quando os perdemos, sentimos tristeza e acima de tudo estranheza, por já não saber organizar o nosso dia a dia da mesma maneira. Só não choramos e exteriorizamos a perda (bem isto não é consensual, pois há muitos que até choram), porque partimos do principio que outro igual virá. Essa é a grande diferença entre a máquina e a vida. A máquina é substituível.
Esta semana perdi uma máquina e uma vida. E a única coisa que consigo pensar é que de bom grado dava todas as máquinas em troca daquela vida. Só que o mundo não se processa dessa forma, se não também seria uma máquina e, nesse caso, seria substituível. Bem, a verdade é que não o é, logo nunca poderemos controlar a fronteira entre a vida e a morte. Sei que as palavras o vento as leva, mas, sinto a necessidade de dizer que perdi um amigo, um companheiro de 12 anos de aventuras e de muitos chinelos, sofás, almofadas, canteiros destruídos. Ele nunca me obedeceu e eu também nunca me preocupei muito com isso. Ironicamente, a única vez que eu queria que ele me obedecesse e que ficasse, ele não ficou.
Adeus Grants, foste com certeza o pior cão do mundo, mas o melhor amigo que se podia ter.

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sábado, 12 de março de 2011

Memórias de um achado roubado

Qual é o momento da nossa vida em que somos verdadeiramente sinceros?

Antes de mais o que é a sinceridade?

Será sermos fiéis à ideia que temos de nós?

Será expressar o que achamos ser a realidade?

Isso leva-nos a uma questão fulcral. Será a nossa realidade real, ou apenas uma projecção daquilo que achamos, ou queremos ser.

Ser genuíno torna-se muitas vezes complicado quando não temos a completa noção do que somos.

Acho que no fundo só queremos ser aceites. Para isso, procuramos realidades que não são nossas, mas que queremos adoptar como tal.

No fundo torna-se humanamente impossível distinguir o que é nosso do que é dos outros.

Acabamos por ser projecções daquilo que queremos viver.

Acho que acima de tudo devemos lutar por essas projecções. Devemos tentar ser aquela pessoa que idealizamos. Objectivar é importante. Focarmo-nos no que interessa e esquecermo-nos do volátil, do passageiro.

Nós somos a tentativa daquilo que achamos ser e isso não é necessariamente mau.

Tal facto evita o nosso conformismo, faz-nos lutar por um “eu” mais real, mais verdadeiro e por isso mais pacífico. A chave da vida é tentarmos abrir as portas que nos realizam e deixar fechadas aquelas que nos falseiam.

Enfim amigos, divagar às vezes faz bem.

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domingo, 6 de março de 2011

Apre, já estou atrasado outra vez!


Olá amigos. Devo desde já vos avisar que o assunto que me trás aqui hoje, não é dos mais alegres. Eu que até não sou de me queixar, desta vez vou ter de pôr a “boca no trombone” (salvo seja) e desabafar.

Pois bem, vim falar da instituição Comboios de Portugal, para os amigos CP.

Será que a CP tem noção do quanto as suas greves constantes e quase ininterruptas (já duram parcialmente desde o inicio de Fevereiro) afectam a vida das outras pessoas?

Gente que chega atrasada consecutivamente ao trabalho. Pais que não deixam os filhos a horas no infantário, ressacados que vêm do bairro alto e querem chegar rapidamente a casa (ok, estes têm que se aguentar “à bronca”). O pior é mesmo o amontoar de corpos com pulsação, a respirar de forma ofegante uns para cima dos outros, numa carruagem por demais “atafulhada”.

Um dia, dois dias, três dias de greve vá. Até ai compreendia eu. Todos temos direito a lutar por um trabalho condigno e devidamente remunerado. Agora, a minha liberdade acaba onde a liberdade dos outros começa. Não podemos actuar sem pesar os pós e os contras, isto quando uma atitude nossa pode ter consequências na vida dos outros. Não se podem privilegiar uns em benéfico de outros, para isso já bastam os políticos (vá, sem querer generalizar demais).

Tracemos agora o perfil à CP.

Empresa pública e por isso paga com os impostos dos Portugueses. Possui o maior rácio de patrões por empregados., em média um patrão para dez subalternos.

A nível de comparação receitas/despesas, destaca-se como sendo uma das empresas que dá mais prejuízo ao país. De ressalvar também que é das empresas públicas Portuguesas com um índice de produtividade mais baixos. Obviamente não podemos direccionar as culpas todas para aqueles que fazem greve. Antes pelo contrário, apesar de as greves prejudicarem, aqueles que não fazem greve são os maiores culpados. Os gestores, aqueles que ganham o mesmo no final do mês haja uma ou duas ou dez greves. Se a empresa chegou ao que chegou é, acima de tudo, porque tem sido muito mal gerida.

Todavia, independentemente do prejuízo que tem dado, fechar a CP está fora de questão.Convenhamos que sem comboios, sobravam poucas opções para eu me conseguir “meter” em Lisboa. Ainda não fazem barcos de Pexiligais até à capital (é uma tristeza).

Vender a CP? Bem, até poderia resultar, mas para isso era preciso que alguém a quisesse comprar. Vamos tentar imaginar o anúncio que se colocaria nos classificados:

“Empresa mais pobre que o Sporting e mais endividada que um jogador de futebol dez anos depois de terminar a carreira.“ (perdoem-me se ofendi susceptibilidades) “Especializada no transporte via carris de transeuntes (muitos deles mal cheirosos). Com inúmeros comboios que pode fornecer em caso de penhora. Com trabalhadores super especializados em serem patrões e grevistas. Possui voluntários na zona de Sintra, especializados na arte de aligeirar e, por vezes, retirar carteiras, de forma a que o passageiro viaje com mais leveza. Preço negociável. Avisando desde já que têm de ser quantias avultadas, pois o país está em crise e precisa de dinheiro.”

Enfim, vamos rifar a CP e oferece-se um cabaz a quem lhe sair a fava (quer dizer, a CP).

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