segunda-feira, 16 de julho de 2012

Já chegamos? Já chegamos? Já chegamos? E agora? Já chegamos?


O que mais custa é não ouvir a minha língua. É complicado estar num sítio longe da civilização, em que as pessoas emitem grunhidos estridentes e quase imperceptíveis, não se consegue perceber a língua que falam. Não! Não fui viajar para um país longínquo, falo-vos das viagens nos comboios da CP. A verdade é que sinto mesmo falta de ouvir falar a minha língua (deve ser assim que os emigrantes se sentem lá fora).
Eles (passageiros “habituais”) são tantos que, às tantas, o extraterrestre sou eu. E o mais assustador é que vêm em cores diferentes e com formas diferentes. Alguns parecem chateados, outros parecem surpreendidos, alguns sentem-se deslocados, comum a todos é o facto de utilizarem “gritómetros”. Gritómetros são aparelhos tecnológicos parecidos com o telemóvel, mas que são utilizados para gritar com a pessoa que estará do outro lado. Se isso é incomodativo? Sim, bastante, mas eles têm uma justificação para usar os “gritómetros”, é que aparentemente a pessoa que os está a ouvir do outro lado, estará muito longe, talvez até no estrangeiro e assim se eles não gritarem a voz não chega lá.
Outra interrogação que eu faço é se haverá vida inteligente no comboio? Do que eu pude decifrar dos dialectos que me afrontam em cada viagem, pude discernir palavras como “mini-preço”, “pingo-doce”, “continente”, o que mostra, claramente, quais são os seus locais predatórios e que utilizam para caçar.
Serão estes seres amigáveis? Uns são e limitam-se a passar a viagem como eu, alheados de tudo e com sorrisos furtivos devido às interacções que muitas vezes existem nestas viagens. Outros aparentam querer fazer mal a muita gente (provavelmente tiveram maus pais), são os chamados “bandidos”, “malfeitores”, “bandalhos”, “gandis”, “gatunos” ou “Miguel Relvas” (neologismo).
Outra característica típica da população dos comboios é o seu cheiro. Esse, é muito variável e pode ir desde caril a naftalina, passando por variados tipos de peixe, ocasional catinga e, por fim, aquele que eu denomino por “com a breca, cheira a morte”.
Por hoje é tudo. Nos próximos capítulos talvez vos leve ao deserto (comboio da Fertagus), ou finalmente desvende que o livro “viagem ao centro da terra” de Júlio Verne é baseado numa viagem minha até telheiras no metro de Lisboa.
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terça-feira, 3 de julho de 2012

May the force be with me


Hoje comecei a escrever este post sem ter um tema em vista. Isto é uma chatice quando se quer escrever e não há tema, a ver se sai alguma coisa de jeito.
Tenho visto muita gente vermelha ultimamente, eu acho que as pessoas querem ficar bronzeadas e acham que isso é uma coisa bonita (até aí tudo bem), o problema é que vermelho escarlate não é bronze, nem é bonito, é um monumental escaldão que vai doer mais que qualquer hemorróida e que, além disso, vai escamar e possivelmente a pessoa em causa vai ficar com as costas com o mapa de Portugal desenhado (ou a frança, quiçá a noruega, dependendo da forma da escamação). Posto isto, vim falar-vos de fantasias sexuais.
Agora prestem atenção, há que fazer distinção entre as fantasias que saem na revista maria e as que existem na realidade, como bom anfitrião que sou, deixo-vos um exemplo:
“A minha maior fantasia é fazer o amor com a minha namorada ao som do genérico dos Power Rangers” – In Maria (algures no sec. XXI)
Pois bem, é caso para dizer “go go power rangers”. Atenção, não estou de forma nenhuma a desconsiderar esta fantasia e a ser púdico (“ah e tal, a minha maior fantasia é praticar o amor aos pés da cama”), o que eu estou a querer dizer é que estas fantasias me parecem muito pouco sexuais e, neste caso, pertencem ao imaginário dos arguidos do processo casa pia (obviamente que, por ventura, o Ruca, ou o Noddy, também poderão resultar, dependendo do arguido).
Ora, feita a reflexão sobre a revista Maria e o seu conteúdo erótico (que é tão excitante como imaginar o Tony Ramos em tronco nu, isto para uma geração de homens com menos de 30 anos obviamente), importa agora referir verdadeiras fantasias sexuais dignas. Para isso sirvo-me de um especialista na área (eu) e vou utilizar a minha vasta cultura na temática para eleger o Top 3 de fantasias sexuais (é bem possível que a maioria tenha sido tirada da revista Maria).
Em 3º Lugar  - Fazer o amor numa Zundapp Famell de duas velocidades na sua velocidade máxima (quase 30km/h). Esta é a proposta que eu faço para os corajosos e que gostam de viver no risco (e acima de tudo para aqueles que tenham uma zundapp e um extra para montar). Desaconselhado a obesos e a pessoas que tenham nascido depois de 1940.
Em 2º lugar – Praticar a cópula ao som do hit “a garagem da vizinha”, num concerto do Quim Barreiros.
Nota: Não existe a preocupação em ser apanhado, pois estará tudo demasiado bêbedo no concerto para reparar. Atenção, devido à musicalidade deste trecho sonoro, há que ter uma grande força de vontade para evitar cantarolar durante o acto e essa é a missão mais complicada, só superada pela dificuldade de estar sóbrio num concerto do Quim Barreiros.
Em 1º lugar – Fazer o coito numa convenção de star wars como uma mulher/homem/dois bonito(s). Ora, este é sem dúvida a fantasia sexual mais engenhosa e difícil de concretizar, não se resume só a convenções de Star Wars, mas em qualquer convenção onde a taxa de mascarados é tão elevada como a taxa de virgens. Principal dificuldade, fazer com que os amigos acreditem realmente que isso aconteceu e mesmo que consigam, eles vão pensar que se “afiambraram” a um camafeu.
P.S. A princesa Leia com o bikini dourado na cena com o jabba the hutt é a fantasia sexual mais fixe e ao mesmo tempo a mais complicada de concretizar, portanto, se és fã do Star Wars e não és um camafeu, deixa o contacto no blog...
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sábado, 23 de junho de 2012

1+1 = 3


É melhor sorrir ou é melhor chorar? O que é mais correcto afinal? Devemos ser sempre optimistas e não nos podemos dar ao luxo de estar pessimistas? “Luxo” é uma palavra engraçada de usar neste contexto, utilizamos muitas vezes expressões como “não me posso dar ao luxo de sentir isto ou aquilo”. A verdade é que sentir não é um luxo, é mais uma necessidade, nós precisamos de sentir e não sentimos sempre o mesmo. Por isso, não podem ser as outras pessoas a dizer-nos a atitude que devemos tomar, ou o sorriso que devemos usar. O ser humano tem disponíveis uma série de apetrechos que pode e deve usar de acordo com a sua conveniência e não é conveniente ser sempre excessivamente optimista, ou negativista, pois ambas as situações são excessivamente ilusórias. O mundo não gira à nossa volta e não nos quer tramar ou beneficiar, nós é que giramos à volta dos diferentes mundos, que por sinal giram à volta uns dos outros. Devemos sentir quando sentimos e mostrar quando e a quem acharmos que devemos mostrar. Devemos acreditar quando é possível acreditar e ficar tristes quando a situação não pede falsas esperanças. A realidade é a mais dura das verdades e é essa que temos de encarar. 
Não podemos deixar que ninguém nos diga o que devemos sentir e no que devemos acreditar, eu já não acredito numa série de coisas e é melhor assim (o pai natal não é real, o coelho da páscoa também não, o cabelo do Toni Carreira vai pelo mesmo caminho, perdoem-me a quem ainda não sabia). O extremismo aumenta o tamanho do tombo, por isso vivam felizes nas entrelinhas e tristes a espaços.
P.S. Portugal vai ser campeão europeu, nisso podem acreditar…
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domingo, 10 de junho de 2012

Adoro a paisagem de verão


 Hoje resolvi sucumbir à minha natureza profunda e assim sendo vim-vos falar de um tema com uma profundidade enorme. Sim, vim aqui falar-vos de fracturas expostas não cicatrizadas.
 Apanhei-vos! 
 Eu era incapaz de falar sobre isso, o meu tema de hoje é bem mais intelectual. Micoses. Não me interpretem mal, não tenho nada contra micoses, podem ter à vontade micoses no escroto e assim, só agradeço é que não a exponham. Se no escroto é mais difícil a exposição, por outro lado, quando a micose se instala no dedo do pé e ainda por cima é  verão, então temos a receita para o apocalipse. Um apocalipse repleto de fungos e de cheiros capazes de fazer encolher o mais excitado dos Zezés Camarinhas. Se num rapaz é condenável, numa rapariga é contraproducente (principalmente porque sou um rapaz). Não estou a questionar os hábitos estilísticos de ninguém, até porque eu sou claramente contra o pente e a máquina de barbear (quero acreditar que o look “sem abrigo” está in), porém no caso de fungos e afiliados é toda uma questão de higiene, mas não se preocupem, eu tenho a solução. Peúgas! Eu sei que está calor e que querem mostrar os vossos pés e por a arejar o fungo, mas não o façam. Ponham o fungo enclausurado num qualquer tecido de algodão ou outro sintético, usem meias fininhas (e pretas para fazer pandã com o fungo) e acaba-se o problema (pelo menos o meu).
 Outra coisa que me faz confusão: Anúncios a pensos higiénicos que combatem o odor vaginal e onde metem meninas bonitas de perna aberta. Ok, odor vaginal e gajas boas não combinam. É como ter uma rapariga toda jeitosa com um grande par de “olhos” e um grande “bom gosto”, mas que se baba.
E é assim a minha vida…
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sábado, 12 de maio de 2012

With great power comes great awesomeness


Olá amigos, já há algum tempo que não vos escrevia, lucky bastards. A verdade é que para retomar o meu blog, decidi falar-vos de super-heróis. Pois é, na altura em que precisamos mais deles, insistem em manter-se em vias de extinção, a não ser na tela de cinema. Aí amigos, temos para todos os gostos, vestidos de preto e orelhas pontiagudas, vestidos de latão, até mesmo com as cuecas por cima das calças. Temos super-heróis com side-kicks gays, temos verdes, temos tudo. Assim sendo, a única forma de matar a fome por super-heróis é ir ao cinema e alhearmo-nos do nosso mundo demasiado realista. Daí que a maioria dos filmes com super-heróis tenha tantos espectadores, ou queremos ser como eles ou queremos que eles existam.
Bem, talvez existam, menos extravagantes e a usar boxers por baixo da roupa. Talvez o único superpoder que tenham seja a vontade. É provável que não tenham muitos espectadores, porque um herói não quer publicidade. Em princípio não terão um super-vilão acoplado e não serão necessariamente americanos. Se calhar nem serão estupidamente bem-parecido e com a depilação feita. No fundo para ser super-herói hoje em dia, basta que sejamos fieis a ideais e que lutemos por um mundo menos mau. Basta que não baixemos os braços frente a adversidades, implica que tenhamos muito medo (é o nosso super-vilão), mas que esse seja derrotado pela nossa coragem (é o mais parecido que podemos ter com super poderes).
Apesar disso, acredito piamente que eventualmente uma aranha me vai picar, ou que vou ser tão rico que irei construir um fato nada homossexual e cheio de estilo, quanto a ser verde dispenso.

P.S.  I`m Batman
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quarta-feira, 21 de março de 2012

Coisas estranhas na nossa casa - parte II


Em primeiro lugar é importante reter que piaçaba é o nome de uma palmeira. Posto isto, vim-vos falar do outro piaçaba, aquele que de palmeira tem muito pouco, a não ser que vocês limpem o cocó da sanita com palmeiras. O que, verdade seja dita, iria requerer uma boa dose de imaginação e força. Para além disso é, igualmente, necessário perceber que o nome piaçaba se refere à escova em si e não ao cabo, deixando o cabo órfão de nome. (aceito sugestões, mas para mim aquele utensilio deveria chamar-se “pau de piaçaba”, de forma a não ostracizar o cabo, que afinal de contas é o que sustenta a escova que mais cedo ou mais tarde estará na merda). Queria também salientar o meu desprezo por todas aquelas pessoas que tratam o piaçaba como “piaçá”. Que eu saiba, na língua portuguesa não existe o “ba” mudo, de maneira que se está lá, é para se ler. Porque se não, metam o piaçá no rá, ok?

Não sei se quero acrescentar alguma coisa. Pronto, não quero!

I`ll smell you all later 

quinta-feira, 1 de março de 2012

silêncio e sol


A solidão é dos sentimentos mais irónicos que existem. Como é possível sentirmo-nos sozinhos quando sete mil milhões de personalidades nos rodeiam? É incrível a falácia que esta interrogação apresenta. As pessoas não nos rodeiam a nós, rodeiam espaço que nos circunscreve. Porém esse espaço é comum, não nos pertence, no nosso espaço só deixamos entrar determinadas personagens em determinados momentos.
A solidão pode ser momentânea ou pode ser duradora. Podemos nos sentir sós no meio de uma multidão, porque quem nos preenche não está lá. Existem preenchimentos voláteis que nos acalmam a sensação de estar só durante um certo tempo, mas é inevitável que, por vezes, uma sensação de vazio prevaleça. Às vezes queremos ser sós, mas não estar sós. Percebem? Há um espaço muito dentro que não partilhamos, ou quase nunca partilhamos, mas gostamos de ter pessoas com que sabemos que caso queiramos revelar esse espaço, elas lá estarão para o abraçar.


I`ll smell you all later

P.S. Este post é dedicado a todos aqueles que se sentem maltratados, ostracizados, abandonados. Não há razões melhores ou piores para se sentir a solidão. Não é uma coisa racional, não há solidões mais justificáveis do que outras. Desde aqueles que não têm ninguém, aqueles que acham que não têm. Só, está o sol e ele não se esquece de brilhar.
Enfim, amanha será sempre outro dia.