terça-feira, 4 de dezembro de 2012

The calceteiros strike back


  
  Já dizia a minha mãe : “Pois, andas aí de corpinho bem feito e depois constipas-te!”
  Já devem saber do que vos vou falar; calceteiros portugueses. Pois é meus amigos, estes indivíduos estão por de trás da maior conspiração do mundo. Com as consecutivas greves que têm existido, desde médicos, passando por estucadores e agora estivadores, são os calceteiros que mais ganham.
  Vejam bem, por cada greve cerca de 1% da calçada portuguesa é arremessada. Quem é que vai por trás arranjar? O calceteiro.
  Calcetar nem sempre foi a tarefa mais bem remunerada, e era um pouco incerta, mas agora tudo graças às greves organizadas por Facebook (iniciadas por calceteiros, de certeza) e mais as greves da CGTP (calceteiros), tudo se conjuga. No futuro, para evitar a extinção da calçada portuguesa, o lema vai ser “calcetar o país para a frente”. Vamos ser pobres, mas ter uma bela calçada.
  Agora lembrem-se que por cada cabeça a sangrar abundantemente, um calceteiro estar-se-á a rir e a pensar “muhahahaha, ainda bem que calcetei só q.b., de forma que o calhau se soltasse com facilidade”.
  Para finalizar, revelar-vos o segredo do 11 de Setembro. Foram calceteiros emigrantes portugueses que estavam a fazer pontaria aos aviões.

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domingo, 11 de novembro de 2012

"Gosto"


É engraçado a necessidade que nós temos de partilhar estados. E não é só estados de espirito. Eu tenho para mim que, hoje em dia, até gases furtivos se partilham no facebook e afiliados.
Pergunto-me como seria se de repente estas pessoas ficassem privadas destas tecnologias. Será que enviariam cartas registadas com aviso de recepção a dizer “Hoje comi um cozido à portuguesa e estava estupendo lol”?
Se calhar abrem a janela e metem-se a cantar “aquela” música com frases dissimuladas que funcionam como “indirectas” para a cara metade. Estou a imaginar um Facebookodependente a abrir a janela para partilhar uma música que contem indirectas. “Oh Maria dá-me o pito, oh Maria dá-mo já”.
Levanta-se o problema dos “gostos”. Não havendo Facebook seria muito difícil ter o feedback dos outros. No caso da carta registada, o destinatário teria de remeter para o remetente a figura de um polegar a apontar para cima em sinal de “gosto”. O que, convínhamos, ficaria caro. Para além disso, ter somente um gosto numa publicação é muito fraquinho. Teria que se mandar uma série de cartas a dizer a mesma coisa e esperar que as pessoas respondessem e comentassem. Respostas como  “ahah comexte cuxido a portugeza? Vaix dar buéx de peidux”, seguido de a figura de um polegar para cima, seriam ansiadas.
Agora imaginem que viveriam sem o meu blog…
Acalmem-se! Estava só a brincar. Estou aqui para ficar.  
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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Profissões em risco



Vivemos numa altura em que a greve parece ter pegado moda. Todas as pessoas de (quase) todas as profissões saem à rua para reivindicar os seus direitos. Aparentemente todas têm razão de queixa, desde médicos a camionistas, passando por taxistas e farmacêuticos.
Porém, irrita-me ver profissões a serem secundarizadas. Se há profissão que ao longo dos anos tem sofrido estigmas e tem razões de queixas para se manifestar, é a dos Paneleiros.
Todas as pessoas conspurcam essa profissão. Utilizam-na pejorativamente como insinuação que o colega pratica o coito anal com homens, ou então usam-na para cumprimentar o transeunte, desde que esse seja amigo.
Será que nunca pensaram que ao dizerem “oh paneleiro anda cá que eu tenho trabalho para ti” estarão a induzir centenas, não, unidades de paneleiros que pensam que estão a ser chamados para uma entrevista de trabalho. Sendo que na realidade essa frase não se destina a eles, mas sim para a pessoa que está ao lado e que nada tem que ver com a profissão.
Já não se fazem panelas como antigamente. Antigamente perguntar “pode dizer onde fica o paneleiro?” teria direito a uma resposta concreta e indicaria a loja onde se fabricariam panelas. Hoje em dia essa pergunta tem apenas uma resposta (e de mau gosto), “Fica mesmo à minha frente”.
No entanto, eu não os vejo a manifestar-se. Aliás quando um amigo meu me disse que viu nas notícias “o maior desfile de paneleiros do mundo” na holanda, os meus olhos brilharam de felicidade, pensava eu que estávamos a falar de panelas. Na realidade ele estava-se a referir a senhores com roupas coloridas e que nada têm que ver com utensílios de cozinha.
Espero ansiosamente que os paneleiros venham para a rua reivindicar mais trabalho e melhores condições para fazer panelas. Afinal se todo o político tem direito ao tacho, porque raio é que ninguém mais faz panelas?

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PS - Odeio-te trem de cozinha da "Ideia Casa"

domingo, 14 de outubro de 2012

Manifesto Agrião só para pessoas



O cozinheiro Henrique Sá pessoa é um “bacano”. Hoje aprendi imenso sobre agrião. E se há pessoa que percebe de agrião, é o Sá Pessoa. Sempre soube que aquilo era azedo e tinha um sabor forte, só não sabia era que isso era uma qualidade. Segundo o Sá, efectivamente, é. Além disso aprendi imenso. Parece que o agrião vem da Ásia e em inglês se chama watercress. Sem falar que existe um filme que tem agrião no nome (The Watercress Girl). E há mais… Maionese de agrião!!! Sabem como se faz maionese de agrião? Apontem crianças! Abrem um frasco de maionese, picam agriões (q.b.), misturam e voillá, maionese de agriões. Para quem acha que isto é demais, esperem só um bocado.
Sabem como se faz uma omeleta de agriões? Esta vai-vos deixar de queixo caído. Batem-se 4 ovos (duas pessoas), põem-se os ovos na frigideira com óleo quente, picam-se os agriões. Agora atenção, esta é a parte difícil, juntam-se os agriões (lavados e picados) à cama de ovos e dobra-se até ficar em forma de “D” e voillá.
Apesar de tudo, algo em mim permanece traumatizado. Mantenho a imagem, petrificada, no meu cérebro, da minha santa mãe a dizer “Come a sopa de agriões até ao fim!”. Foi algo que nunca ultrapassei devidamente. No entanto, o Henrique com o seu tracto fino e música jazz no programa provou-me que o agrião é nosso amigo e serve para fazer pratos, que embora dificílimos de confeccionar, aparentam ser um regalo para os intestinos, sim porque os agriões também ajudam no trânsito intestinal (eles, a Fátima Lopes e a Júlia Pinheiro).
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sábado, 6 de outubro de 2012

Carta aberta


Caras pessoas da empresa Comboios de Portugal, foi ao reparar nos repetitivos cartazes, a anunciar repetitivas greves, que eu me decidi por escrever esta carta. Em especial um chamou-me a atenção, esse cartaz em particular falava do alargamento da greve para os próximos dias, mas o que me chamou a atenção foi o que um cidadão indignado escreveu por cima. Em frente à palavra “greve” ele escreveu reaccionária. Depois, no meio da folha A4 que anunciava os dias da greve, foi escrito a seguinte frase: “A CP faz greve para chamar a atenção dos ricos, mas os pobres é que pagam”.
Ora, eu não subscreveria esta afirmação por completo, afinal os ricos também sofrem com isto. Basta pensar que com a greve, este nicho da população (cerca de 8%) tem pela frente mais engarrafamentos e mais noticias “aborrecidas” sobre esta temática que lhes é alheia. Por outro lado, as pessoas a quem querem fazer chegar esta greve (políticos), têm uma sensibilidade social igual à de um urso pardo que passou duas semanas sem comer. Por esta razão, era de pensar que além da população que utiliza estes transportes, também vocês (que perdem dias de salário) saíssem prejudicados com esta insensibilidade.
No entanto, parece-me que a maior dose de insensibilidade social parte de vocês. Se não vejamos, segundo apurei os trabalhadores da vossa empresa descontam regularmente para o sindicato, o que faz que nestas alturas os dias de trabalho “gazeteiros” sejam cobertos pelo fundo do sindicato. Sendo assim, vocês gozam os dias de férias que o governo tira ao resto da função pública.
Poderemos agora falar nas vossas razões, que as hão de ter e, possivelmente, escritas em acta. O problema aqui é que ter razões numa empresa mal gerida há tantos anos e que, encabeça a lista de empresas públicas que dão maiores prejuízos ao país, é algo pouco sensato. Principalmente na maneira como procuraram chamar a atenção para essas razões. A verdade é que a greve não vai fazer a empresa lucrar mais e, pior que isso, compramos títulos de transporte mensais, não podendo usufruir da qualidade e pontualidade do transporte.
“Deixe o carro em casa e venha de comboio”, parece-me uma frase bonita, colada em muitos dos vossos transportes. Torna-se algo ridícula em alturas destas não acham?
Obviamente, não vos tiro o direito à greve, só acho que um pouco de sensatez cai bem em qualquer cabeça. Como os meus pais me ensinaram “A nossa liberdade acabam onde começa a liberdade dos outros”. Isto significa que talvez haja outras maneiras mais eficazes de serem ouvidos sem provocarem este caos nas classes que nada podem fazer para vos ajudar. Não me parece que prejudicando os estudantes universitários, idosos que se deslocam a consultas médicas, ou trabalhadores da mesma função pública que vos acolhe, se vão fazer ouvir e resolver os vossos problemas.
Compreendo a insatisfação com o corte nas remunerações, o alargamento do período de trabalho e a falta de pagamento das horas extraordinárias. Porém, se reagíssemos todos como vocês, e muita gente se queixa do mesmo, o país parava.
Quando um país se sente tão à beira do precipício, o melhor é puxá-lo para cá e não desequilibrá-lo ainda mais.
Sem mais de momento,
N.P.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Cave dos segredos dos gordinhos


Acaba a silly season e recomeça a trash TV. Atenção, não há qualquer tom depreciativo nesta afirmação, é apenas uma constatação. Passamos o Verão debruçados sobre repetições de séries e ininterruptas telenovelas, para com a, quase e bem disfarçada, chegada do Outono nos venderem programas com um objectivo meramente de entreter.
Na sic vai começar um programa que, à semelhança do Biggest Loser, vai emagrecer gordinhos (gordinhos, gordões, lontras e mascotes do continente e do Jumbo), só que ao contrário do antecessor, em vez de os pôr a correr, vão pô-los a dançar, o que vai implicar uma série de coisas que passo a enunciar:
1º Sismo de magnitude elevadíssima em Portugal continental e maremotos nas Ilhas.
2º Ataques cardíacos. O que efectivamente os obrigará a fazer dieta, o que de forma indirecta os fará emagrecer. Não esquecendo o ataque cardíaco que nós próprios iremos ter quando virmos os flip flops e voos dos gordinhos.
3º Oh meu deus, os meus olhos, oh meu deus, o que é que a popota está a fazer a abanar-se com aquela força. Eu tenho pena é dos bailarinos, dançar com gordinhos daquele calibre na TV nacional é como entrar numa novela da TVI e o nosso par romântico ser a Maria Vieira (Parrachita).
Para competir com isto nada melhor do que juntar a família em volta da televisão para gozar com os filhos dos outros (e, quiçá, aliens) da casa dos segredos. Por um lado é bom, nas novelas as pessoas estão caladas, não há comunicação. Num programa destes é impossível estar calado, a família vai inevitavelmente comunicar e, acima de tudo, gozar com as preciosidades daqueles concorrentes.
Vai ser inevitável troçar quando eles não souberem uma capital de um país (mesmo que nós próprios também não saibamos), ou quando eles se enganarem a dizer uma palavra (porque nós não nos enganamos). Por mais que os tente defender aqui, a verdade é que a escolha dos concorrentes foi minuciosa e nunca teve por base os QI`s dos mesmos.
Em todo o caso, toda a gente vai espreitar, nem que seja para depois vir dizer que nunca viu aquilo, porque aquilo é má televisão. Amigos, não há má televisão, há televisão que tem resultados e depois há o “serviço público” que toda a gente defende, mas que ninguém sabe definir e/ou não vê. Mas isso dará outro post.
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sábado, 25 de agosto de 2012

Cheiras a xixi!


Decidi escrever um livro, estou aqui na dúvida ainda sobre o rumo e assim, mas já fui escrevendo umas coisitas, por isso o tempo que eu tinha para o blog tem sido repartido. No entanto, o blog é o blog, é onde junto toda a parvoíce e faço magia ou arte, como lhe queiram chamar (só não lhe chamem sinónimos de cocó).
Este verão é tramado, nas férias parece que fico mais cansado do que se trabalhasse. Isto de apanhar sol o dia todo cansa. Sem falar que chego à noite sem me conseguir mexer, acima de tudo derivado dos escaldões que apanho, o que faz com que ir à praia seja sofrível. Sem falar que as minhas costas parecem o mapa mundo, ou pior, sinto que as pessoas não se aproximam de mim na praia porque têm medo de apanhar alguma maleita meio complicada de pronunciar mas que provoca a morte, ou pelo menos, diarreias intensas.
E depois é complicadíssimo realizar actividades culturais na praia (“mirar as gajas não conta como actividade cultural). Não consigo ler o jornal porque não arranjo uma posição de conforto e quando arranjo vem o sacana do vento e leva-me o jornal. Não consigo ler livros na praia porque está demasiado calor para me conseguir concentrar na história e depois há as pópotas, balofos e crianças a correr, uns provocam terramotos e maremotos e outros mandam areia para os olhos, descubram vocês quem é quem.
No mar até se poderá estar bem, mas por um lado temos uma série de pessoas ao nosso lado com cara de quem estão a verter líquidos, o que me retrai na altura de mergulhar. O que mais graça me dá são as pessoas que após molharem os pés e as pernas, ficam-se pela cintura com um ar contemplativo e as mãos nas ancas. Passam-se 30 segundos e eles decidem não avançar mais e voltar para trás, com o sentimento de missão cumprida. Das duas uma, ou estão a tentar lembrar-se das estrofes do canto X dos Lusíadas, ou estão a fazer um belo xixi. O que me parece é que na realidade eles acham que ninguém percebe o que eles estão a fazer. Devem-se achar agentes secretos que estão a desenvolver uma actividade camuflada. A arma até pode estar camuflada, mas a acção é subentendida.
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