terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Alterações da Percepção


Pois é, amigos. Com o blog quase a fazer três anos, eu vou-me despedir. Do país e não do blog, claro. São poucos meses e eu voltarei. Como vocês não têm nada que ver com isso, não digo para onde vou (vou para a Hungria, já que insistem). Deixo a promessa de voltar e de continuar a escrever.
Como sempre, não prometo quando, nem onde, nem sobre o que vou escrever. Prometo escrever (mal ou bem), pois isso é o que me continua a fazer sentir realizado (isso e caracóis no verão).
Posta de lado esta “rabetice” introdutória, deixo-vos com uma “rabetice” de “até já”

Vou partir,
No recobro da madrugada fujo,
Vou escapar de mim próprio,
Ausentar-me da minha casa.

Vou escapar ao tempo,
Reencontrar um novo refúgio,
Fujo para não ficar
Mas deixo a metade.

Escapo e vou embora,
Deixo a minha parte
Queixo-me do tempo
Queixo-me da alma,
Queixo-me da minha vida,
Agarro-me e vou.

Vi o que deixei,
Vejo o que vou deixar,
Caminho para a frente,
Atrás lanço o olhar.

Ultimo o suspiro,
Ultimo o desabafo,
Ultimo o descanso,
De um novo recomeço.

Parto para onde tenho de ir,
Parto do princípio que devo seguir
Sempre a eito,
Não posso hesitar,
Parto com vista ao amanhã,
Até ao amanhã me levantar.

Despeço-me de quem quero
Da forma que quero,
Com as palavras que sei,
Desperto-me no agora,
Pois eu sei que Voltarei.

I`ll smell you all later

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012



É verdade, 2012 está acabar. A boa notícia é que não vai acabar da forma como muitos previam (explosões e cataclismos só para o lado de alvalade). Eu prevejo que vá haver 2013, mas para entrar devidamente no próximo ano há que fazer um balanço deste. Se, por acaso, omitir algo que achem importante comentem que eu finjo que dou importância.
                Pois é, como destaque internacional, a partida e chegada do meu primo de Itália. Como negativo, ressalva para o que ele trouxe consigo de Itália, dez quilos e um namoro a longa distância (vamos esperar que ele não seja assíduo no meu blog).
Na cultura, morreu o senhor que fazia de Darth Vader nas cenas de luta do ep. IV, V e VI do Star Wars. Foi lançada a sequela do filme erótico-badalhoco Piratas, intitulado Piratas II (do produtor de “Enterra-me sua majestade”). Outro destaque, é o início e o fim da casa dos segredos, que atendendo aos atributos apresentados se poderia chamar “Como fazer que os nossos pais nos dêem mais valor, em três meses” (Obrigado Teresa Guilherme).
A nível Nacional, destaque para a promessa de um 2013 com menos sacrifícios e depois a despromessa e depois a repromessa, seguida da redespromessa. No fim de contas temos um rei mago, um coelho, um jesus, carpinteiros desempregados, grávidas do espirito santo, vacas e bois. Portugal é um presépio vivo, se bem que no presépio não há coelhos, mas pareceu-me pertinente colocar aqui. Agora que penso nisso, o Papa já diz que o presépio não tem nem vacas, nem burros, nem nada, só plantinhas. Além disso, o Papa criou um Twitter para responder às questões dos fiéis. “Papa, eu estou aqui com uma meretriz e não quero apanhar a sida, será que posso usar o preservativo?”, “Sim, mas só se for amor verdadeiro”. Obviamente será o Papa a responder a todas estas dúvidas do Twitter.
Para 2013 desejo que o Passos Coelho pare de se referir a nós como “amigos”, enquanto escreve mensagens no Facebook e que pare de assinar como “Pedro”. Com a breca, eu pedi um primeiro-ministro e não um amiguinho. Espero que o Vitor Gaspar deixe de parecer que está a ter um AVC, enquanto fala.
Queria também (é mais um sonho) que a oposição se transformasse em contraposição. Queria que o Jerónimo de Sousa parasse de dizer “troika estrangeira” (porra, havia de ser troika da Brandoa, não?). Espero que o António José Seguro ganhe personalidade, que a senhora dos Verdes se reforme e que o PP… Bem, desses já não espero nada.
Anseio por criatividade em Portugal, propostas, medidas, projectos. Se nos lamentarmos somente 1 mês por ano, teremos 11 meses para procurar soluções.
Mais importante que tudo, desejo que o Benfica seja campeão e que eu não apanhe tétano.
I`ll smell you all later in 2013

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

The calceteiros strike back


  
  Já dizia a minha mãe : “Pois, andas aí de corpinho bem feito e depois constipas-te!”
  Já devem saber do que vos vou falar; calceteiros portugueses. Pois é meus amigos, estes indivíduos estão por de trás da maior conspiração do mundo. Com as consecutivas greves que têm existido, desde médicos, passando por estucadores e agora estivadores, são os calceteiros que mais ganham.
  Vejam bem, por cada greve cerca de 1% da calçada portuguesa é arremessada. Quem é que vai por trás arranjar? O calceteiro.
  Calcetar nem sempre foi a tarefa mais bem remunerada, e era um pouco incerta, mas agora tudo graças às greves organizadas por Facebook (iniciadas por calceteiros, de certeza) e mais as greves da CGTP (calceteiros), tudo se conjuga. No futuro, para evitar a extinção da calçada portuguesa, o lema vai ser “calcetar o país para a frente”. Vamos ser pobres, mas ter uma bela calçada.
  Agora lembrem-se que por cada cabeça a sangrar abundantemente, um calceteiro estar-se-á a rir e a pensar “muhahahaha, ainda bem que calcetei só q.b., de forma que o calhau se soltasse com facilidade”.
  Para finalizar, revelar-vos o segredo do 11 de Setembro. Foram calceteiros emigrantes portugueses que estavam a fazer pontaria aos aviões.

I`ll smell you all later

domingo, 11 de novembro de 2012

"Gosto"


É engraçado a necessidade que nós temos de partilhar estados. E não é só estados de espirito. Eu tenho para mim que, hoje em dia, até gases furtivos se partilham no facebook e afiliados.
Pergunto-me como seria se de repente estas pessoas ficassem privadas destas tecnologias. Será que enviariam cartas registadas com aviso de recepção a dizer “Hoje comi um cozido à portuguesa e estava estupendo lol”?
Se calhar abrem a janela e metem-se a cantar “aquela” música com frases dissimuladas que funcionam como “indirectas” para a cara metade. Estou a imaginar um Facebookodependente a abrir a janela para partilhar uma música que contem indirectas. “Oh Maria dá-me o pito, oh Maria dá-mo já”.
Levanta-se o problema dos “gostos”. Não havendo Facebook seria muito difícil ter o feedback dos outros. No caso da carta registada, o destinatário teria de remeter para o remetente a figura de um polegar a apontar para cima em sinal de “gosto”. O que, convínhamos, ficaria caro. Para além disso, ter somente um gosto numa publicação é muito fraquinho. Teria que se mandar uma série de cartas a dizer a mesma coisa e esperar que as pessoas respondessem e comentassem. Respostas como  “ahah comexte cuxido a portugeza? Vaix dar buéx de peidux”, seguido de a figura de um polegar para cima, seriam ansiadas.
Agora imaginem que viveriam sem o meu blog…
Acalmem-se! Estava só a brincar. Estou aqui para ficar.  
I`ll smell you all later

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Profissões em risco



Vivemos numa altura em que a greve parece ter pegado moda. Todas as pessoas de (quase) todas as profissões saem à rua para reivindicar os seus direitos. Aparentemente todas têm razão de queixa, desde médicos a camionistas, passando por taxistas e farmacêuticos.
Porém, irrita-me ver profissões a serem secundarizadas. Se há profissão que ao longo dos anos tem sofrido estigmas e tem razões de queixas para se manifestar, é a dos Paneleiros.
Todas as pessoas conspurcam essa profissão. Utilizam-na pejorativamente como insinuação que o colega pratica o coito anal com homens, ou então usam-na para cumprimentar o transeunte, desde que esse seja amigo.
Será que nunca pensaram que ao dizerem “oh paneleiro anda cá que eu tenho trabalho para ti” estarão a induzir centenas, não, unidades de paneleiros que pensam que estão a ser chamados para uma entrevista de trabalho. Sendo que na realidade essa frase não se destina a eles, mas sim para a pessoa que está ao lado e que nada tem que ver com a profissão.
Já não se fazem panelas como antigamente. Antigamente perguntar “pode dizer onde fica o paneleiro?” teria direito a uma resposta concreta e indicaria a loja onde se fabricariam panelas. Hoje em dia essa pergunta tem apenas uma resposta (e de mau gosto), “Fica mesmo à minha frente”.
No entanto, eu não os vejo a manifestar-se. Aliás quando um amigo meu me disse que viu nas notícias “o maior desfile de paneleiros do mundo” na holanda, os meus olhos brilharam de felicidade, pensava eu que estávamos a falar de panelas. Na realidade ele estava-se a referir a senhores com roupas coloridas e que nada têm que ver com utensílios de cozinha.
Espero ansiosamente que os paneleiros venham para a rua reivindicar mais trabalho e melhores condições para fazer panelas. Afinal se todo o político tem direito ao tacho, porque raio é que ninguém mais faz panelas?

I`ll smell you all later

PS - Odeio-te trem de cozinha da "Ideia Casa"

domingo, 14 de outubro de 2012

Manifesto Agrião só para pessoas



O cozinheiro Henrique Sá pessoa é um “bacano”. Hoje aprendi imenso sobre agrião. E se há pessoa que percebe de agrião, é o Sá Pessoa. Sempre soube que aquilo era azedo e tinha um sabor forte, só não sabia era que isso era uma qualidade. Segundo o Sá, efectivamente, é. Além disso aprendi imenso. Parece que o agrião vem da Ásia e em inglês se chama watercress. Sem falar que existe um filme que tem agrião no nome (The Watercress Girl). E há mais… Maionese de agrião!!! Sabem como se faz maionese de agrião? Apontem crianças! Abrem um frasco de maionese, picam agriões (q.b.), misturam e voillá, maionese de agriões. Para quem acha que isto é demais, esperem só um bocado.
Sabem como se faz uma omeleta de agriões? Esta vai-vos deixar de queixo caído. Batem-se 4 ovos (duas pessoas), põem-se os ovos na frigideira com óleo quente, picam-se os agriões. Agora atenção, esta é a parte difícil, juntam-se os agriões (lavados e picados) à cama de ovos e dobra-se até ficar em forma de “D” e voillá.
Apesar de tudo, algo em mim permanece traumatizado. Mantenho a imagem, petrificada, no meu cérebro, da minha santa mãe a dizer “Come a sopa de agriões até ao fim!”. Foi algo que nunca ultrapassei devidamente. No entanto, o Henrique com o seu tracto fino e música jazz no programa provou-me que o agrião é nosso amigo e serve para fazer pratos, que embora dificílimos de confeccionar, aparentam ser um regalo para os intestinos, sim porque os agriões também ajudam no trânsito intestinal (eles, a Fátima Lopes e a Júlia Pinheiro).
I`ll smell you all later

sábado, 6 de outubro de 2012

Carta aberta


Caras pessoas da empresa Comboios de Portugal, foi ao reparar nos repetitivos cartazes, a anunciar repetitivas greves, que eu me decidi por escrever esta carta. Em especial um chamou-me a atenção, esse cartaz em particular falava do alargamento da greve para os próximos dias, mas o que me chamou a atenção foi o que um cidadão indignado escreveu por cima. Em frente à palavra “greve” ele escreveu reaccionária. Depois, no meio da folha A4 que anunciava os dias da greve, foi escrito a seguinte frase: “A CP faz greve para chamar a atenção dos ricos, mas os pobres é que pagam”.
Ora, eu não subscreveria esta afirmação por completo, afinal os ricos também sofrem com isto. Basta pensar que com a greve, este nicho da população (cerca de 8%) tem pela frente mais engarrafamentos e mais noticias “aborrecidas” sobre esta temática que lhes é alheia. Por outro lado, as pessoas a quem querem fazer chegar esta greve (políticos), têm uma sensibilidade social igual à de um urso pardo que passou duas semanas sem comer. Por esta razão, era de pensar que além da população que utiliza estes transportes, também vocês (que perdem dias de salário) saíssem prejudicados com esta insensibilidade.
No entanto, parece-me que a maior dose de insensibilidade social parte de vocês. Se não vejamos, segundo apurei os trabalhadores da vossa empresa descontam regularmente para o sindicato, o que faz que nestas alturas os dias de trabalho “gazeteiros” sejam cobertos pelo fundo do sindicato. Sendo assim, vocês gozam os dias de férias que o governo tira ao resto da função pública.
Poderemos agora falar nas vossas razões, que as hão de ter e, possivelmente, escritas em acta. O problema aqui é que ter razões numa empresa mal gerida há tantos anos e que, encabeça a lista de empresas públicas que dão maiores prejuízos ao país, é algo pouco sensato. Principalmente na maneira como procuraram chamar a atenção para essas razões. A verdade é que a greve não vai fazer a empresa lucrar mais e, pior que isso, compramos títulos de transporte mensais, não podendo usufruir da qualidade e pontualidade do transporte.
“Deixe o carro em casa e venha de comboio”, parece-me uma frase bonita, colada em muitos dos vossos transportes. Torna-se algo ridícula em alturas destas não acham?
Obviamente, não vos tiro o direito à greve, só acho que um pouco de sensatez cai bem em qualquer cabeça. Como os meus pais me ensinaram “A nossa liberdade acabam onde começa a liberdade dos outros”. Isto significa que talvez haja outras maneiras mais eficazes de serem ouvidos sem provocarem este caos nas classes que nada podem fazer para vos ajudar. Não me parece que prejudicando os estudantes universitários, idosos que se deslocam a consultas médicas, ou trabalhadores da mesma função pública que vos acolhe, se vão fazer ouvir e resolver os vossos problemas.
Compreendo a insatisfação com o corte nas remunerações, o alargamento do período de trabalho e a falta de pagamento das horas extraordinárias. Porém, se reagíssemos todos como vocês, e muita gente se queixa do mesmo, o país parava.
Quando um país se sente tão à beira do precipício, o melhor é puxá-lo para cá e não desequilibrá-lo ainda mais.
Sem mais de momento,
N.P.