segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Aliens e ciganos


Estar fora de Portugal é estranho. Em primeiro lugar, torna-se raro ouvir Português e isso faz-me ter saudades da Língua. Acho que até daquele linguajar típico “sócio, orienta aí vinte cêntimos”, até disso começo a sentir falta. Agora que penso nisso, será muito difícil eu perceber se estou a ser assaltado aqui, eles irão atacar-me em húngaro, eu vou responder em inglês, no final é provável que acabe num beco, despido, sem saber o que se passou. Com  a hepatite será o mesmo.
Por outro lado, estando numa residência estudantil, descobri o que seria do mundo, se fosse governado por estudantes. Seria porco e teria nutella nas paredes.
I`ll smell you all later.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Budapest state of mind

Estar num país estrangeiro tem o seu quê de divertido.
Divertimento número um, gritar na rua coisas sem nexo em Português e não estar preocupado com o que os outros vão pensar. Divertimento número dois, atendendo a que poucos Húngaros dominam o português, podemos oscilar entre perguntas como "excuse me, would you help me?", com "Porra, estes gajos são feios para caraças", depois basta despedirmos-nos com um sorriso e eles continuam a achar-nos uma simpatia. No entanto, o oposto não se aplica. Das duas uma, ou todos os húngaros possuem uma construção dentária disforme, ou então são umas bestas. Numa loja é espectável que os vendedores sejam simpáticos e sorriam, mas pelos vistos, aqui é proibido. 
Depois sabem tanto de inglês como a Dora exploradora. As respostas deles às minhas perguntas são invariavelmente monossilábicas.
A nível populacional, a Hungria e fundamentalmente populada por húngaros  Cerca de 60% da população de budapeste é Hungara, sendo que os restantes 40% são brasileiros. É raro a altura em que eu cruze a rua e não oiça "Poh meu velho, as húngaras são a maior gracinha".
Outra coisa que é fácil de reparar aqui, é a publicidade ao sexo que existe. Desde cartazes no centro da cidade a anunciar estupendas sex shops, até raparigas a questionar-me sobre "you want sexy business?"
É importante que, a não ser que o vosso sonho seja apanhar sida, a vossa resposta seja não.
I`ll smell you all later

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Alterações da Percepção


Pois é, amigos. Com o blog quase a fazer três anos, eu vou-me despedir. Do país e não do blog, claro. São poucos meses e eu voltarei. Como vocês não têm nada que ver com isso, não digo para onde vou (vou para a Hungria, já que insistem). Deixo a promessa de voltar e de continuar a escrever.
Como sempre, não prometo quando, nem onde, nem sobre o que vou escrever. Prometo escrever (mal ou bem), pois isso é o que me continua a fazer sentir realizado (isso e caracóis no verão).
Posta de lado esta “rabetice” introdutória, deixo-vos com uma “rabetice” de “até já”

Vou partir,
No recobro da madrugada fujo,
Vou escapar de mim próprio,
Ausentar-me da minha casa.

Vou escapar ao tempo,
Reencontrar um novo refúgio,
Fujo para não ficar
Mas deixo a metade.

Escapo e vou embora,
Deixo a minha parte
Queixo-me do tempo
Queixo-me da alma,
Queixo-me da minha vida,
Agarro-me e vou.

Vi o que deixei,
Vejo o que vou deixar,
Caminho para a frente,
Atrás lanço o olhar.

Ultimo o suspiro,
Ultimo o desabafo,
Ultimo o descanso,
De um novo recomeço.

Parto para onde tenho de ir,
Parto do princípio que devo seguir
Sempre a eito,
Não posso hesitar,
Parto com vista ao amanhã,
Até ao amanhã me levantar.

Despeço-me de quem quero
Da forma que quero,
Com as palavras que sei,
Desperto-me no agora,
Pois eu sei que Voltarei.

I`ll smell you all later

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012



É verdade, 2012 está acabar. A boa notícia é que não vai acabar da forma como muitos previam (explosões e cataclismos só para o lado de alvalade). Eu prevejo que vá haver 2013, mas para entrar devidamente no próximo ano há que fazer um balanço deste. Se, por acaso, omitir algo que achem importante comentem que eu finjo que dou importância.
                Pois é, como destaque internacional, a partida e chegada do meu primo de Itália. Como negativo, ressalva para o que ele trouxe consigo de Itália, dez quilos e um namoro a longa distância (vamos esperar que ele não seja assíduo no meu blog).
Na cultura, morreu o senhor que fazia de Darth Vader nas cenas de luta do ep. IV, V e VI do Star Wars. Foi lançada a sequela do filme erótico-badalhoco Piratas, intitulado Piratas II (do produtor de “Enterra-me sua majestade”). Outro destaque, é o início e o fim da casa dos segredos, que atendendo aos atributos apresentados se poderia chamar “Como fazer que os nossos pais nos dêem mais valor, em três meses” (Obrigado Teresa Guilherme).
A nível Nacional, destaque para a promessa de um 2013 com menos sacrifícios e depois a despromessa e depois a repromessa, seguida da redespromessa. No fim de contas temos um rei mago, um coelho, um jesus, carpinteiros desempregados, grávidas do espirito santo, vacas e bois. Portugal é um presépio vivo, se bem que no presépio não há coelhos, mas pareceu-me pertinente colocar aqui. Agora que penso nisso, o Papa já diz que o presépio não tem nem vacas, nem burros, nem nada, só plantinhas. Além disso, o Papa criou um Twitter para responder às questões dos fiéis. “Papa, eu estou aqui com uma meretriz e não quero apanhar a sida, será que posso usar o preservativo?”, “Sim, mas só se for amor verdadeiro”. Obviamente será o Papa a responder a todas estas dúvidas do Twitter.
Para 2013 desejo que o Passos Coelho pare de se referir a nós como “amigos”, enquanto escreve mensagens no Facebook e que pare de assinar como “Pedro”. Com a breca, eu pedi um primeiro-ministro e não um amiguinho. Espero que o Vitor Gaspar deixe de parecer que está a ter um AVC, enquanto fala.
Queria também (é mais um sonho) que a oposição se transformasse em contraposição. Queria que o Jerónimo de Sousa parasse de dizer “troika estrangeira” (porra, havia de ser troika da Brandoa, não?). Espero que o António José Seguro ganhe personalidade, que a senhora dos Verdes se reforme e que o PP… Bem, desses já não espero nada.
Anseio por criatividade em Portugal, propostas, medidas, projectos. Se nos lamentarmos somente 1 mês por ano, teremos 11 meses para procurar soluções.
Mais importante que tudo, desejo que o Benfica seja campeão e que eu não apanhe tétano.
I`ll smell you all later in 2013

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

The calceteiros strike back


  
  Já dizia a minha mãe : “Pois, andas aí de corpinho bem feito e depois constipas-te!”
  Já devem saber do que vos vou falar; calceteiros portugueses. Pois é meus amigos, estes indivíduos estão por de trás da maior conspiração do mundo. Com as consecutivas greves que têm existido, desde médicos, passando por estucadores e agora estivadores, são os calceteiros que mais ganham.
  Vejam bem, por cada greve cerca de 1% da calçada portuguesa é arremessada. Quem é que vai por trás arranjar? O calceteiro.
  Calcetar nem sempre foi a tarefa mais bem remunerada, e era um pouco incerta, mas agora tudo graças às greves organizadas por Facebook (iniciadas por calceteiros, de certeza) e mais as greves da CGTP (calceteiros), tudo se conjuga. No futuro, para evitar a extinção da calçada portuguesa, o lema vai ser “calcetar o país para a frente”. Vamos ser pobres, mas ter uma bela calçada.
  Agora lembrem-se que por cada cabeça a sangrar abundantemente, um calceteiro estar-se-á a rir e a pensar “muhahahaha, ainda bem que calcetei só q.b., de forma que o calhau se soltasse com facilidade”.
  Para finalizar, revelar-vos o segredo do 11 de Setembro. Foram calceteiros emigrantes portugueses que estavam a fazer pontaria aos aviões.

I`ll smell you all later

domingo, 11 de novembro de 2012

"Gosto"


É engraçado a necessidade que nós temos de partilhar estados. E não é só estados de espirito. Eu tenho para mim que, hoje em dia, até gases furtivos se partilham no facebook e afiliados.
Pergunto-me como seria se de repente estas pessoas ficassem privadas destas tecnologias. Será que enviariam cartas registadas com aviso de recepção a dizer “Hoje comi um cozido à portuguesa e estava estupendo lol”?
Se calhar abrem a janela e metem-se a cantar “aquela” música com frases dissimuladas que funcionam como “indirectas” para a cara metade. Estou a imaginar um Facebookodependente a abrir a janela para partilhar uma música que contem indirectas. “Oh Maria dá-me o pito, oh Maria dá-mo já”.
Levanta-se o problema dos “gostos”. Não havendo Facebook seria muito difícil ter o feedback dos outros. No caso da carta registada, o destinatário teria de remeter para o remetente a figura de um polegar a apontar para cima em sinal de “gosto”. O que, convínhamos, ficaria caro. Para além disso, ter somente um gosto numa publicação é muito fraquinho. Teria que se mandar uma série de cartas a dizer a mesma coisa e esperar que as pessoas respondessem e comentassem. Respostas como  “ahah comexte cuxido a portugeza? Vaix dar buéx de peidux”, seguido de a figura de um polegar para cima, seriam ansiadas.
Agora imaginem que viveriam sem o meu blog…
Acalmem-se! Estava só a brincar. Estou aqui para ficar.  
I`ll smell you all later

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Profissões em risco



Vivemos numa altura em que a greve parece ter pegado moda. Todas as pessoas de (quase) todas as profissões saem à rua para reivindicar os seus direitos. Aparentemente todas têm razão de queixa, desde médicos a camionistas, passando por taxistas e farmacêuticos.
Porém, irrita-me ver profissões a serem secundarizadas. Se há profissão que ao longo dos anos tem sofrido estigmas e tem razões de queixas para se manifestar, é a dos Paneleiros.
Todas as pessoas conspurcam essa profissão. Utilizam-na pejorativamente como insinuação que o colega pratica o coito anal com homens, ou então usam-na para cumprimentar o transeunte, desde que esse seja amigo.
Será que nunca pensaram que ao dizerem “oh paneleiro anda cá que eu tenho trabalho para ti” estarão a induzir centenas, não, unidades de paneleiros que pensam que estão a ser chamados para uma entrevista de trabalho. Sendo que na realidade essa frase não se destina a eles, mas sim para a pessoa que está ao lado e que nada tem que ver com a profissão.
Já não se fazem panelas como antigamente. Antigamente perguntar “pode dizer onde fica o paneleiro?” teria direito a uma resposta concreta e indicaria a loja onde se fabricariam panelas. Hoje em dia essa pergunta tem apenas uma resposta (e de mau gosto), “Fica mesmo à minha frente”.
No entanto, eu não os vejo a manifestar-se. Aliás quando um amigo meu me disse que viu nas notícias “o maior desfile de paneleiros do mundo” na holanda, os meus olhos brilharam de felicidade, pensava eu que estávamos a falar de panelas. Na realidade ele estava-se a referir a senhores com roupas coloridas e que nada têm que ver com utensílios de cozinha.
Espero ansiosamente que os paneleiros venham para a rua reivindicar mais trabalho e melhores condições para fazer panelas. Afinal se todo o político tem direito ao tacho, porque raio é que ninguém mais faz panelas?

I`ll smell you all later

PS - Odeio-te trem de cozinha da "Ideia Casa"