sexta-feira, 29 de março de 2013

Porra pah


Portanto, estou fora de Portugal há dois meses e já deixam entrar tudo. Já deixam o Sócrates ir à televisão, já deixam os mercados dizer que agora Portugal já não é terrível, é só fraquinho. O desemprego, bem esse está a evoluir de forma proporcionalmente inversa ao dinheiro que tenho na minha conta bancária, tenho de parar de viajar.
Voltando ao bandid…Perdão, Patif…perdão, Sr… Perdão… Voltando ao Sócrates, parece que ele lá conseguiu manipular mais uma vez toda a gente e agora as culpas já são todas do Sr. do bolo rei. Pois é, deixo Portugal um par de meses e fica tudo burro. Mais uns tempinhos e está o Sócrates a lançar a candidatura à presidência da república. Porreiro pah, é da maneira que começo a viajar mais. Praga já está, agora é Viena (e não, não me enganei a escrever, é viena de Áustria e não viana do castelo).
Espero ansiosamente por notícias de Portugal e espero sinceramente que não seja este mês que nos vendam à Alemanha para retalho. E por favor, quando virem o Sócrates a falar, mudem para o canal panda, é mais realista.
I`ll smell you all later.

sábado, 2 de março de 2013



Estou aqui há um mês e nem dei pelo tempo passar. Felizmente, no outro dia lá consultei o calendário (e o espelho) e reparei que a este ritmo, o meu corpo iria pedir o divórcio e procurar uma cabeça que o tratasse melhor. Ele anda muito confuso, andamos a chatear-nos muito. Ele quer dormir, eu não. Ele quer comer, eu tenho preguiça de me levantar. A verdade é que para que, no final dos 5 meses, não me encontre com uma barriga similar a uma gravidez em estado avançado, decidi começar a fazer desporto. O ginásio tem de ser pago e eu não gosto disso, por isso comprei um tapete e comecei a fazer abdominais e flexões. A recompensa? Cerveja! Se calhar, essa não foi a decisão mais sábia, mas pronto. Em compensação iniciei também uma intensa maratona diária de corrida. O meu objectivo é ser capaz de fazer a meia maratona a pé e conseguir chegar vivo a meio do caminho. Depois apanho um táxi para casa.  O problema de correr num sítio que não conheço bem, é que inevitavelmente irei-me perder. O que se veio a verificar. Felizmente, consegui chegar a casa a tempo do jantar.
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Day after



É incrível a quantidade de coisas que conseguimos sentir em apenas 24h. Acordamos com dores de cabeça, saímos da cama só para desligar o despertador e pensamos duas vezes (às vezes nem isso), se devemos ir à escola ou ficar a dormir. Começam-se a criar rotinas, começam a surgir as saudades, depois vem a noite e, a espaços, esquecemos tudo. Ficamos felizes por poder olhar pela janela e ver a neve a cair, mas por outro lado queremos aquele quentinho sol de inverno do nosso país.
Dentro destas 24h há tempo ainda para ensinar umas ordinarices em português aos estrangeiros.
“Ah e tal, como se diz gosto de ti em português?” (Atenção; Eles/as não fazem a pergunta em português; pus em português só para facilitar)
“Diz-se; Sou uma badalhoca” (às vezes vou mais longe que isto, mas não quero ofender susceptibilidades, pois isto é um blog familiar)

PS. Parabéns ao meu blog que fez no passado dia 6 de Fevereiro 3 anos. Desculpa só te dar os parabéns agora bebé, mas como vês, ando muito ocupado.

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Team Jacob

Quando nos dão demasiada liberdade, nós dormimos. Não, isto não é nenhuma frase profunda, ou com segundas interpretações. A verdade é que com muita liberdade para fazer o que quiser, eu durmo sestas. São sestas imprescindíveis quando se leva a vida de um vampiro. É imensamente difícil ter aulas de manhã e festas à noite, a única alternativa é dormir de tarde. No entanto, essa complicada coordenação festas-aulas-sestas, faz com que não saiba que dia da semana é e que, sempre que olhe para o relógio, fique surpreendido.
Provavelmente irei encontrar uma rotina, almoçar a horas de almoço e jantar a horas de jantar, quiçá até lanchar. Mas por enquanto, é muito mais fácil comer quando tenho fome, dormir quando tenho sono e beber… Beber, enquanto houver bebida e mercados negros de contrabando de fígados. Ouvi dizer que na china até se trocam fígados e rins por iPhones, por isso ainda não me tenho de preocupar.
Por outro lado, com o estilo de vida que levo, irei acabar estes meses só a conseguir vestir calças de fato de treino com elástico reforçado, pelo menos até ter forças para encontrar o ginásio.
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Aliens e ciganos


Estar fora de Portugal é estranho. Em primeiro lugar, torna-se raro ouvir Português e isso faz-me ter saudades da Língua. Acho que até daquele linguajar típico “sócio, orienta aí vinte cêntimos”, até disso começo a sentir falta. Agora que penso nisso, será muito difícil eu perceber se estou a ser assaltado aqui, eles irão atacar-me em húngaro, eu vou responder em inglês, no final é provável que acabe num beco, despido, sem saber o que se passou. Com  a hepatite será o mesmo.
Por outro lado, estando numa residência estudantil, descobri o que seria do mundo, se fosse governado por estudantes. Seria porco e teria nutella nas paredes.
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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Budapest state of mind

Estar num país estrangeiro tem o seu quê de divertido.
Divertimento número um, gritar na rua coisas sem nexo em Português e não estar preocupado com o que os outros vão pensar. Divertimento número dois, atendendo a que poucos Húngaros dominam o português, podemos oscilar entre perguntas como "excuse me, would you help me?", com "Porra, estes gajos são feios para caraças", depois basta despedirmos-nos com um sorriso e eles continuam a achar-nos uma simpatia. No entanto, o oposto não se aplica. Das duas uma, ou todos os húngaros possuem uma construção dentária disforme, ou então são umas bestas. Numa loja é espectável que os vendedores sejam simpáticos e sorriam, mas pelos vistos, aqui é proibido. 
Depois sabem tanto de inglês como a Dora exploradora. As respostas deles às minhas perguntas são invariavelmente monossilábicas.
A nível populacional, a Hungria e fundamentalmente populada por húngaros  Cerca de 60% da população de budapeste é Hungara, sendo que os restantes 40% são brasileiros. É raro a altura em que eu cruze a rua e não oiça "Poh meu velho, as húngaras são a maior gracinha".
Outra coisa que é fácil de reparar aqui, é a publicidade ao sexo que existe. Desde cartazes no centro da cidade a anunciar estupendas sex shops, até raparigas a questionar-me sobre "you want sexy business?"
É importante que, a não ser que o vosso sonho seja apanhar sida, a vossa resposta seja não.
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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Alterações da Percepção


Pois é, amigos. Com o blog quase a fazer três anos, eu vou-me despedir. Do país e não do blog, claro. São poucos meses e eu voltarei. Como vocês não têm nada que ver com isso, não digo para onde vou (vou para a Hungria, já que insistem). Deixo a promessa de voltar e de continuar a escrever.
Como sempre, não prometo quando, nem onde, nem sobre o que vou escrever. Prometo escrever (mal ou bem), pois isso é o que me continua a fazer sentir realizado (isso e caracóis no verão).
Posta de lado esta “rabetice” introdutória, deixo-vos com uma “rabetice” de “até já”

Vou partir,
No recobro da madrugada fujo,
Vou escapar de mim próprio,
Ausentar-me da minha casa.

Vou escapar ao tempo,
Reencontrar um novo refúgio,
Fujo para não ficar
Mas deixo a metade.

Escapo e vou embora,
Deixo a minha parte
Queixo-me do tempo
Queixo-me da alma,
Queixo-me da minha vida,
Agarro-me e vou.

Vi o que deixei,
Vejo o que vou deixar,
Caminho para a frente,
Atrás lanço o olhar.

Ultimo o suspiro,
Ultimo o desabafo,
Ultimo o descanso,
De um novo recomeço.

Parto para onde tenho de ir,
Parto do princípio que devo seguir
Sempre a eito,
Não posso hesitar,
Parto com vista ao amanhã,
Até ao amanhã me levantar.

Despeço-me de quem quero
Da forma que quero,
Com as palavras que sei,
Desperto-me no agora,
Pois eu sei que Voltarei.

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